ESPOROTRICOSE. Que doença é essa?

27.03.2017

 

 

Gateiros e gateiras de plantão: quem aqui nunca ouviu que gatinhos costumam esconder doenças? Que passar mais tempo reclusos em algum canto, ou comer menos, são sinais de que algo não está bem? Que, às vezes, a única forma de demonstrarem algum desconforto físico é mudando a forma como interagem conosco? Nós sabemos que tudo isso é verdade, então desde cedo aprendemos a detectar sinais sutis de mal estar nos nossos bichanos.

 

É de se esperar, então, que queiramos conhecer um pouquinho sobre algumas doenças que frequentemente acometem os nossos felinos. E convenhamos: além das doenças clássicas que todos nós já ouvimos falar (doença renal geralmente está em primeiro lugar), vez ou outra aparece, nos meios de comunicação, uma nova doença que pode ser transmitida deles para nós. Raiva, dermatofitose e toxoplasmose costumavam ser as “tops of mind” que nós gateiros continuamente ouvíamos, mas agora o que tem chamado a atenção da sociedade (para desespero dos amantes dos gatos) é a “tal” da esporotricose.

 

Pensando nisso, a partir de hoje teremos um espacinho no blog para conversarmos a respeito de algumas dessas doenças. E qual a melhor forma de começarmos, se não falando da doença da vez?

 

Mas afinal, que doença é essa?

 

A esporotricose é uma micose cutânea profunda causada por um fungo denominado Sporothrix schenckii. Ele é um fungo saprófita, ou seja, se alimenta de matéria orgânica morta ou em decomposição e, por isto, é comumente encontrado no solo, em madeiras e plantas, podendo infectar diversos mamíferos terrestres, incluindo nós, humanos.

A maior parte das infecções humanas ocorre pela penetração do agente através de uma ferida, quer seja pelo contato desta ferida com o solo ou matéria orgânica contaminados (em trabalhos de jardinagem, por exemplo), ou através de arranhaduras e mordeduras de animais infectados pelo fungo.

 

Mas cuidado: o contato direto com a lesão de um gato infectado também pode ser uma importante via de transmissão da esporotricose, mesmo que não haja ferida alguma na pele da pessoa; isto acontece porque nas lesões ulceradas dos gatos existe uma carga muito grande do fungo, o que facilita o contágio.

 

Como posso proteger meu gato?

 

A melhor maneira de protege-lo é limitar o acesso à rua.

 

Nos gatos, a principal forma de infecção é através da inoculação do agente em feridas. Como os felinos tem o hábito de afiar as unhas em árvores, enterrar as fezes e urinas na terra e se lamber para a auto higienização, as unhas e a boca podem estar contaminadas pelo fungo. Ou seja: brigas entre gatos (o que é muito comum pela disputa territorial e no acasalamento) acabam sendo a forma mais importante de infecção nos felinos, e os principais locais afetados são cabeça, membros e base da cauda.

Nos gatos, o fungo pode também atingir órgãos internos, como fígado e pulmão, quando o microrganismo se dissemina pelo sangue.

 

Portanto, se o seu gato não tem acesso à rua ou à terra, e também não tem contato com outros gatos, fique tranquilo: ele dificilmente será acometido por esta doença.

 

Meu gato está com lesões na pele. Como saber se ele tem esporotricose?

 

A primeira coisa a se fazer é levar o gatinho ao veterinário. É importante que você saiba que muitos processos alérgicos, infecciosos e neoplásicos podem causar lesões na pele no gato, e apenas um médico veterinário será capaz de diagnosticar, através da realização de alguns exames, se realmente aquela lesão tem como causa uma infecção pelo fungo.

 

É importante também detectar se o gatinho é portador do vírus da imunodeficiência felina (FIV) ou da leucemia felina (FeLV), pois estes podem favorecer uma disseminação maior do fungo no organismo do gato, tornando a doença mais perigosa para o animal. Abaixo, tem-se dois exemplos de lesões por esporotricose, uma em face e outra em membro posterior esquerdo de um gato.

 

           Fonte: Lloret et al (2013)                                                         Fonte: Lloret et al (2013)

 

Meu gato está infectado. O que eu faço agora?

 

Calma!!! A esporotricose, na grande maioria das vezes, tem tratamento. Sob orientação de um médico veterinário, você é capaz de cuidar do seu gato da forma correta, sem correr riscos e sem ter que abrir mão do seu animal.

 

É necessário, entretanto, tomar alguns cuidados: durante o tratamento, você deverá manipular o gato com luvas, para evitar o contato da sua pele com as lesões do felino.

Lembre-se que, no gato, as lesões da pele podem ser uma fonte de infecção mesmo se não tivermos uma ferida na qual o fungo possa penetrar. É importante, também, deixar o gato preso em um local de fácil limpeza, e evitar o contato dele com outros animais ou pessoas.

 

O tratamento frequentemente é demorado, podendo durar por alguns meses, e deve ser feito sem interrupções e seguindo à risca as recomendações do veterinário. É extremamente necessário que seja continuado ainda por um determinado período de tempo depois que os sinais desaparecem do gatinho, para garantir a resolução completa da doença.

Portanto, a suspensão do tratamento também só deverá ser feita pelo médico veterinário que acompanha o seu animal. Isso é extremamente importante pois, segundo algumas pesquisas, o principal fator de insucesso no tratamento é justamente a interrupção precoce. A única exceção é quando o gatinho possui a forma disseminada da doença, o que torna o tratamento mais difícil mesmo que sejam tomadas todas as medidas corretamente; felizmente, esta é uma forma rara de infecção, tanto neles quanto em nós, humanos.

 

E não se esqueça: caso o seu gato tenha sido diagnosticado com esporotricose e apareça alguma lesão em sua pele, consulte imediatamente um dermatologista e informe toda a situação, para que ele possa prescrever o tratamento adequado

 

Ficou com alguma dúvida?

 

Escreva nos comentários ou mande um email para vet2gohomecare@gmail.com  que responderemos suas dúvidas. =)

 

 

 

Fonte: Lloret, A. et al. Sporotrichosis in cats: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery (2013) 15, 619-623.

 

 

 

 

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